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Guia do Envelhecimento Ativo

Saúde, Bem-estar, Moda, beleza e Exercício Físico no Envelhecimento

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O meu Conto de Natal!

Luísa de Sousa, 23.12.19

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Santo António da Serra, Machico, Ilha da Madeira

 

 

Este é um desafio proposta pela imsilva. E eu, como gosto de desafios, aqui vai o meu Conto de Natal.

 

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Há cinco anos que é sempre assim .... espera, espera, espera e ninguém vem visitá-la!

Dª Maria (nome fictício) teve um AVC há cinco anos que a deixou parcialmente paralisada. 

Esteve hospitalizada durante uma semana entre a vida e a morte.

Conseguiu sobreviver e foi internada na Rede de Cuidados Continuados.

Seis meses depois do AVC, foi-lhe dada alta.

O único filho foi informado da alta da mãe para a levar para casa.

Nunca apareceu!

Dª Maria foi considerada "alta problemática" e até hoje, continua internada, à espera de ir para casa.

Quando chega ao Natal, pede à enfermeira a às auxiliares que a vistam a rigor.

A sua blusa de seda verde, a saia plissada preta, os sapatos pretos e a mala a combinar.

Pede que lhe arranjem o cabelo e lhe coloquem os brincos e o batom.

Quer estar bonita e bem arranjada!

Porque ... não vá o filho e a nora aparecerem!!!

No dia de Natal, muito bem vestida e elegante, pede que coloquem a cadeira de rodas junto à janela, onde possa avistar os carros a entrar.

Ainda se lembra que o filho tem um carro preto e, assim que avista um, coloca o melhor sorriso na cara, para pouco depois se desvanecer.

Afinal,  não era o seu filho!

Não quer almoçar nem fazer a sesta, não vá aparecerem e ela não estará em condições de os receber!

Terá netos?

Será que vêm junto?

Ah ... não tem prendas para eles!!!

Pede às animadoras que lhe tragam aqueles desenhos e trabalhos manuais que fez!!!

Não vá aparecerem cheios de prendas para ela e ela sem nada para oferecer!

Vêm os grupos de músicos, de animação, de teatro, mas Dª Maria não desvia o olhar da janela!!!

É assim todos os anos ... espera, espera, espera e ninguém vem visitá-la.

À tardinha, com o seu olhar triste, olha para a enfermeira e pergunta:

- Ainda falta muito para o jantar?  Tenho de ficar aqui mais um bocadinho, não vá o meu filho chegar!!!  Ou será que veio e não me encontrou? 

À noitinha, no seu quarto, sem a sua blusa verde, a sua saia plissada e sem os brincos e o batom, Dª Maria, com os olhos marejados de lágrimas e a voz trémula, diz:

- Sei que não me vieram visitar porque estão muito atarefados, devem ter filhos e sabemos como é, dão muito trabalho e levam todo o nosso tempo!

 

Há cinco anos que é sempre assim ..... espera, espera, espera, e ninguém vem visitá-la!